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ABSOLUTO / RELATIVO


Conheci hoje o sabor da relva
O rodopio da selva das frases feitas
Faço luto pelos discursos estéreis e ocos
Elevo-me para além de pios loucos
Sou ainda capaz de descer e subir esse degrau
De me sentar à luz e saborear
Palavras de canela e de cacau
Sou forte que nem eu
Mesmo nos braços de Morfeu
Até seus delírios são oniricamente fortes
Mais dados às certezas que às sortes
Espera-me uma mesa farta
Um sofá de pele de marta
Uma cozinha mais cheia que pouca
E uma inconsolada boca
Faço luto pela incompreensão
Quando se faz noite sem razão
Quando o Sol foge da minha vigia
Se não se faz dia
Faço luto se perco a mesa
Se viciam o baralho
Se me fazem beijar o soalho
Faço luto se não me deixam fazer luto
Se fazem do relativo absoluto
Ou da matéria um produto
Faço luto e não poemas
Mesmo sem razão aparente
De fazer luto e ser diferente

Foto: 000 - luis reininho (olhares.aeiou.pt)

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